Sonhos que eu escondia cover art

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Teve dia que a vida virou tribunal,
Olhar pesado, escolha emocional.
Queriam me tirar do único chão que eu tinha,
Mas eu disse em voz alta onde era minha linha.
Escolhi ficar onde meu coração cabia,
O juiz ouviu, a decisão existia.
Promessa de recurso ficou só no falar,
Mas a ferida ficou, difícil de apagar.

Aprendi cedo a esconder o que era meu,
Não por crime, mas porque doía o “não” que eu recebia.
Videogame coberto com pano, som no mute,
Parava de jogar quando a porta abria, atitude.
Quando descobria vinha bronca, vinha tensão,
Como se sonhar fosse erro, fosse traição.
Celular sumiu, nunca mais voltou,
Diz que perdeu… mas o silêncio explicou.

Tudo que eu tive foi sonho conquistado,
Nunca pedi, sempre foi suado.
Por que dói ver eu sorrir com o que é meu?
Por que meu pouco sempre pareceu demais pro teu?

Sempre ouvi “pra que outro se já tem um?”,
“Teus irmãos não têm, pensa em comum”.
Mas ninguém pagou, ninguém juntou por mim,
Cada conquista foi batalha até o fim.
Não era excesso, era sobrevivência,
Era fuga boa da própria consciência.
Num corpo limitado, mente quer voar,
E o controle na mão me deixava ficar.

Teve um dia que eu emprestei contra o instinto,
Ciúme guardado, mas confiei no vínculo.
Funcionando saiu, quebrado virou história,
Nunca mais voltou, só ficou na memória.
Não entendi a raiva, nem a oposição,
Por que mexer justo no que me dava chão?
Não era luxo, nem fuga do real,
Era minha pausa num mundo desigual.

Tudo que eu tive foi sonho conquistado,
Nunca pedi, sempre foi suado.
Por que dói ver eu sorrir com o que é meu?
Por que meu pouco sempre pareceu demais pro teu?

Sou feito de limites que não escolhi,
Mas ninguém decide o que me faz sorrir.
Se andar é difícil, jogar é liberdade,
É onde eu esqueço dor e gravidade.
Não peço aplauso, só compreensão,
Meu lazer não é erro, é respiração.
Amar também é deixar o outro ser,
Mesmo sem entender, mesmo sem querer.

Eu amo quem me gerou, isso nunca neguei,
Só não entendi por que meus sonhos eu sempre escondi.
Se amar é cuidar, um dia talvez dê pra ver:
O que me fazia jogar… era o que me mantinha de pé.